Actividades do Mês
  • Estrada Real - Minas Gerais do Ouro

    (Minas Gerais/Brasil)

    PROGRAMA:

    1º dia: Vivendo Minas Imperial.

    Chegada ao Aeroporto de Confins durante a manhã. O nosso destino será a Fazenda Boa Esperança, através de uma estrada florestal a 70Km, da capital Belo Horizonte.

    O roteiro, ESTRADA REAL: MINAS GERAIS DO OURO, inicia-se na Boa Esperança, pois lá encontraremos a tradição, o bom gosto e o bem receber de Minas Gerais, objecto de desejo de nosso roteiro, que se propõem vivenciar um pouco destas Minas Gerais do Ouro e do passado de tradição. Durante o trajecto pelas estradas que iremos percorrer até o nosso destino, será possível ver um pouco dos vilarejos, gente do meio rural muito hospitaleira, ao mesmo tempo que poderá vivenciar um universo de modernidade dos centros urbanos. Afinal este é o Brasil da diversidade.

    A chegada prevista na Fazenda Boa Esperança, uma fazenda colonial de agradável acolhimento, será por volta das 11h00 da manhã. Sua proprietária, uma tradicional senhora mineira, recebe-nos a todos com prazer, cerimonia e simpatia, mostrando as acomodações da propriedade rural, que demonstram qualidade e o seu bom gosto. Dona Suzana, após uma conversa rápida durante o almoço, oferece uma tarde livre de descanso, mas com opções de bucólicas caminhadas pelas terras das fazendas ou passeios a cavalos em belos Mangalargas, puros de origem, porém, anunciando o convite para um banquete da época do Império, com cuidadoso cardápio formulado com iguarias mineiras, que faziam os gostos aos nobres.

    No jantar, o bom gosto e bem receber começam com a degustação da cachaça, aqui denominada de néctar da terra, para assim dar início a um fausto banquete. Este momento será uma boa oportunidade para conversarmos sobre os nossos dias de experiências com o barroco brasileiro, com a rota do ouro, do café, dos topázios, enfim de Minas Rural. Falaremos sobre nosso roteiro e entendermos um pouco de Minas Gerais e da Estrada Real, caminho a ser percorrido nos próximos dias.

    2º dia: Minas Gerais Barroca.

    A saída da Fazenda Boa Esperança, desperta a sensação de saudades. Afinal, será este momento que marcará o início, de nosso percurso pela Estrada Real brasileira e pelos caminhos de passagem do ouro e de tantas riquezas que fizeram a história deste povo. O nosso primeiro destino será Congonhas do Campo, cidade monumento de onde não podemos partir sem termos um encontro com as obras do Grande Mestre Barroco Aleijadinho, António Francisco Lisboa e seus doze profetas de pedra sabão na Basílica Nosso Senhor do Matosinhos, que trazem o legado dos caminhos das minas gerais. Afinal, estas não eram terras só de ouro, mas também terras de produção que alimentavam e vestiam os que viviam, bem como terra de sábios que curavam com ervas e chás como os de Congonhas, uma erva local que dá o nome a esta cidade.

    O restaurante de comida mineira, repleto de iguarias locais como uma couve manteiga ao azeite, um angu de fubá e um frango com quiabo, logo após nossa visita a Congonhas, será o prefácio para alguns momentos de intimidade com a região e seu povo. Um passeio a pé, conhecendo com pouco mais esta cidade, vendo lembranças de pedra sabão ou mesmo indo á oficina de artesanato na Associação dos Artesões e Artistas Plásticos Produtores de Congonhas, que nos espera para que possamos moldar em pedra um pequeno agrado, e ao fim experimentar um chá de Congonha são as nossas propostas.

    Ao fim da tarde vamos em direcção a Santana dos Montes, cidade natureza como é reconhecida, graças ás suas belezas naturais. Porém, esta é uma localidade que além da natureza, cachoeiras e trilhos pedestres, encontraremos surpreendentes casarões e fazendas coloniais, além de trovadores nas vilas locais, descendentes de índios, portugueses e negros que contam a história da lavoura de produção as grandes fazendas de passagem. A chegada à hospedagem, na Fazenda Santa Marina, uma propriedade centenária em estilo colonial mineiro, surpreende pelo requinte, beleza e bom gosto do local. O fim do dia na varanda com aperitivos para um típico jantar da Fazenda é um momento para brindarmos á natureza que nos espera no próximo dia.

    3º dia: Caminhada na natureza na Estrada Real.

    Acordar na Santa Marina, com um café da manhã repleto de iguarias mineira e servido com elegância extrema, que preza pelos detalhes de requinte, é o início de um dia voltado para conhecer a vida do campo, as suas particularidades locais e a natureza. Logo após o pequeno-almoço saímos para a caminhada do dia, entre vilas e fazendas, que na região são muitas. Cavalos da criação, carro de bois, trilhos, açudes para pesca, cachoeiras, matas e fazendas serão constantemente nossos companheiros neste dia em trilhos guiados pela região da Estrada Real.

    Algumas horas caminhando, um pouco cansados, mas certamente encantados com tanta diversidade, encontramos uma clareira onde as nossas anfitriãs da Santa Marina, prepararam um piquenique á beira de uma cachoeira que, se estiver bom tempo, será acompanhado por um saudável mergulho, ou mesmo, com o som da água e das aves.

    No regresso desta caminhada, no começo da tarde, prazeres únicos tais como massagens com óleos, banheiras com ervas aromáticas, óleos essenciais e terapias holísticas, nos preparam para o jantar de despedida destas terras, na Vila de Santana dos Montes. A nossa chegada á vila, será brindada com apresentação musical, com violeiros da região, bem como por contadores e trovadores e seus mecenas no Solar dos Montes, um casal que vive o mundo, mas que escolheram esta vila como lugar de moradia e que nos recebe para um jantar inesquecível, com boas conversas, bons vinhos e uma comida de excelência. 

    4º dia: Caminhos do Ouro da Estrada Real.

    Para vivenciarmos, de facto, o caminho do ouro temos que chegar a Mariana. Fundada em 1745, foi a primeira capital do estado e a primeira sede do bispado de Minas Gerais que trás um legado, até os dias de hoje, dos costumes da religiosidade e da riqueza do ouro das terras das Minas. Pela manhã vamos á Mina da Passagem, a maior mina de ouro do mundo aberta para visitantes, que guarda segredos e mistérios que nos vai surpreender. Lagos com águas incrivelmente azuis no final da Mina e passeios em carrinhos de mineiros são momentos só possíveis de experimentar neste local.

    Um almoço na mina e visita ao museu interpretativo, que conta um pouco a história do ouro nos caminhos da Estrada Real, são complementados com um sorvete de frutas típico da região na Praça do Coreto, local de encontro da comunidade e dos ateliês de artistas que proporcionam um encontro com a paisagem e afazeres locais.
    Visitar o Ateliê e assistir ao espectáculo de Marionetes Musicircus do mestre Catin ao fim da tarde, quando os seus bonecos vão contar a experiência de viver o ouro em Minas Gerais, no mínimo será um momento inesquecível que mistura música, tradição, ouro, gostos e sabores. Tudo isso em terras das gerais. 

    Saída ao fim da tarde para Santo António do Leite, distrito de Ouro Preto, com hospedagem na Fazenda Mirante do Café, propriedade rural de produção do café, será o prefácio para o contacto com outra grande riqueza das terras de Minas Gerais: o café. Á chegada á fazenda pousada, sua jovem proprietária Cris, recebe-nos com o carinho mineiro e jeito de ser, com um caldo típico de feijão ou com iguarias como o caldo de jiló. Confortáveis apartamentos bem como cachaças e chocolates da região oferecidos no nosso quarto ao deitar, dão o toque da ruralidade mineira com cheiro de café.

    5º dia: Um cheiro a café.

    Ao despertar poderemos perceber que estamos num local privilegiado, no alto de um platô, cercado por um mar de montanhas azuis, de onde se tem uma vista espectacular mais próxima do céu, e ao fundo, pés de cafés que compõem o visual paisagístico da região, explica o nome Mirante do Café. A experiência diferenciada do dia será um encontro com a cultura do café, uma das grandes riquezas brasileiras e mineiras em outros tempos. Após o café da manhã, com cheiro de café de qualidade, exportação da Fazenda Trilhas do Ouro, um passeio guiado com apresentação do sistema de colheita e preparação do café, implementação do sistema de gestão sustentável e rotinas produtivas, terminam nos terreiros de seca dos frutos, que mais parece um tapete de bolinhas vermelhas e verdes. Um almoço na sede e a tarde livre na fazenda para aproveitar o dia é uma das múltiplas possibilidades á nossa disposição.

    Para quem gosta da arte da culinária, especialmente da arte da culinária do café, vamos á comunidade local aprender a fazer doces de café com senhoras da comunidade Catete, que ensinam com habilidade e paciência, a nós leigos, a arte da doçaria conventual. O final do dia termina com um jantar de caldos na fazenda e a visita á vila de Santo António do Leite para conhecer seus artesãos e trabalhos em prata de rara beleza e design.  

    6º dia: Ouro Preto - Património Mundial.

    Após o café da manhã com uma despedida de nossa anfitriã Cristina, que se mostra uma óptima conhecedora da lida do campo e da arte do bem receber, temos a saída para a cidade de Ouro Preto, Património Cultural da Humanidade, que conserva a sua história ao longo dos séculos, pelas igrejas, ruas, ladeiras e becos.

    Cenário de grandes acontecimentos culturais, a cidade berço da Inconfidência Mineira, do Caminho do Ouro, da Estrada Real, de poetas e música, encanta pelo passado e pelo presente contemporâneo com os seus museus, galerias, artesões e turistas do mundo inteiro a fotografar as maravilhas do mestre Aleijadinho, que ali deixou muitas pistas de uma liberdade mesmo que tardia. Chegados a Ouro Preto, vamo-nos encontrar com Maria da Graça no Bonserá, que quer dizer de bem receber a quem ali chega. Senhora historiadora das iguarias mineira e dos segredos das gerais, juntamente com alguns conhecedores das sabedorias de Ouro Preto e Minas Gerais, nos recebem para uma conversa de iniciação aos místicos e misteriosos caminhos de Ouro Preto, que nos permitirão, após esta conversa, caminhar livremente e solitariamente pelos destinos históricos de cidade.

    Uma longa conversa, cafés, doces e salgados do café colonial mineiro são elementos preparatórios para a tarde livre para caminhar por esta cidade do século XVIII, aguçando os sentidos, vivenciando com um novo olhar a sua arquitectura e assim descobrindo os segredos destas terras das gerais. Uma visita á Igreja de Nossa Senhora da Conceição, ao Museu do Aleijadinho, á Casa dos Contos, ao Concerto no Museu do Oratório, às Oficinas de Meditação e Yoga, além de construção de Mandalas são actividades possíveis que neste dia. Enquanto isso as bagagens são alojadas em quartos da charmosa pousada local, para que possamos tranquilamente dormir em Ouro Preto e sentir o ar da liberdade em terras de Minas Gerais.     

    7º dia: Minas Gerais do Pós-Moderno.

    Após o café da manhã, saímos em direcção a Belo Horizonte, percorrendo o fim dos caminhos da Estradas Reais. Pelo meio encontramos o Inhotim, em Brumadinho, um museu de Arte Contemporânea exposto a céu aberto e situado num Jardim Botânico de rara beleza. Um lugar singular do pós-moderno de Burle Marx ao moderno do século XXI. Um retorno aos dias de hoje em grande estilo. Saída para Belo Horizonte para uma visita à cidade e um jantar de despedida.

    8º dia: Regresso.

    Dia livre, saída ao início da tarde para o aeroporto de Confins.